Ogum: A Lei e a Ordem

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“Ogum é meu Pai, Ogum é meu guia…
Ogum é meu Pai, é Cavaleiro da Virgem Maria.”

 

Quem está de ronda é São Jorge!

Sincretizado com São Jorge, no dia 23 de Abril, Ogum é cultuado nas religiões de matriz africana e na Umbanda em grande parte do Brasil. No estado de São Paulo, Ogum é cultuado no dia 27 de Abril, a data passou a integrar o calendário oficial do Estado à partir da proposta da deputada Leci Brandão, atendendo a uma reivindicação de lideranças da Umbanda.

O PL 1153/2011 foi aprovado em 2012 e a Lei Estadual 14.905 foi publicada no Diário Oficial no mesmo ano. De acordo com a justificativa da proposta, esta manifestação religiosa acontece há mais de 300 anos no Brasil e possui, portanto, ampla legitimidade cultural, histórica e religiosa, devendo ser reconhecida e valorizada pelo Poder Público.

Quando nos referimos à Ogum, estamos falamos de um dos Orixás mais conhecidos e respeitados dentro da Religião de Umbanda. Ogum, do Iorubá Ògún, é patrono do ferro, do desbravamento, da guerra e dos caminhos.

Ogum é ordenador, é a Ordem em si, e sendo assim ele é o aplicador de todos os outros fatores divinos, dentre eles o conhecimento, a justiça e a evolução. Ogum faz “par” com Iansã, orixá direcionadora. Esses dois Orixás somam na quinta Linha de Umbanda, a responsabilidade pela aplicação da Lei Maior.

Ogum é a Lei pura e direta de Olorum! Ogum também traz em si a retidão e a correção. Ogum não atua fora de sua Lei em defesa de seu filho, pois Ogum não trabalha para o médium, Ogum atua para a Umbanda, para a Lei e  a Justiça!

Quando a Lei de Ogum atua, ela sempre está em sinergia com a Justiça Divina, pois a Lei Divina somente pode atuar onde a Justiça Divina definir sua atuação! Não é ser submissa à Justiça, mas é atuar onde, efetivamente, a Justiça não está prevalecendo em função de ações exteriores que precisam ser combatidas com o vigor da Lei. Ele não faz a Lei, ele é a Lei!

Ogum trabalha ajustando os caminhos que estão fora da retidão, do justo proceder e do que de fato deve ser. Ele é o regente, guardião e protetor dos caminhos da vida! É Ogum quem intervém junto aos filhos indicados pela Justiça Divina para auxílio e socorro.

Portanto, São Jorge é Ogum, mas Ogum não é só São Jorge, pois é Orixá e sendo um co-criador divino transcende o santo. Ogum está em todos os elementos da natureza, em todos os lugares, férreo, afinal é o trono masculino da lei, irradia perenemente a lei divina em ação na vida dos seres humanos, não de forma totalitária, não força ninguém a nada, mas executando-a, como um bom “general” de Oxalá que é, carregando a bandeira da paz , em especial, para aqueles que buscam a lei, o equilíbrio, a harmonia e senso de ordem em suas vidas. Por isso ogum é o que vem a frente, abrindo os caminhos, protegendo e vencendo demandas

Saravá Ogum! Ele é o general da nossa nação!

No mês em que comemora-se a força ordenadora de Ogum, Ordem e Lei foram temas bastante comentados nesses últimos tempos, tendo como foco as grandes mudanças em sua estrutura de governo.

Nesses dias de crise que não se limitam apenas as de gênero político e/ou econômico, peçamos a abertura dos caminhos, e que neles a ordem do dia seja a compreensão e o respeito.

Que nesses caminhos também possa se cobrar pela justiça, e que trilhando-os guiados por Pai Ogum cheguemos a evolução. Evolução esta que precisa se dar primeiramente como ser humano, depois como cidadão e por fim em prol de uma nação.

Que estejamos mais juntos da vibração de Pai Ogum nesses próximos dias, e que ela se faça presente na vida de todos, externando o que orixá traz em sua essência: caráter, honra e honestidade.

O Dragão de Jorge!

Segundo Leonardo Boff em seu texto “Cada um é São Jorge, cada um é Dragão”, ou seja, cada um de nós carregamos dentro de si aspectos virtuosos e sombrios. Cabe a nós domesticar nossos instintos, nossos dragões internos, não necessariamente matá-los, afinal não podemos ir à contramão de nossa natureza, castrá-la, mas podemos sim podá-la elegantemente para que não nos tornemos escravos de nossas limitações, paixões e desejos, mas sim que os superemos ou saciemos de forma equilibrada, garantindo assim a tão almejada autonomia e liberdade. Assim como São Jorge, o guerreiro valente e vencedor, fez ao subjugar o dragão ao seu cavalo branco e erguendo sua espada sempre atenta para cortar o mal pela raiz.

Patacori Ogum!  Ogunhê, meu Pai!

Texto: Thayron Duarte e Mayra Bandeira

Fontes de Inspiração:

https://umbandaead.blog.br/2017/04/23/6145/
https://umbandaead.blog.br/2016/04/20/ogum/
https://sementesdearuanda.wordpress.com/os-orixas-da-umbanda/orixa-ogum-e-orixa-iansa-tronos-da-lei/
http://vermelho.org.br/noticia/279144-1

 

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