Água: O princípio de todas as coisas.

23-agua_vida

“...Pingo d’água caiu n’água,
Na água se misturou.
Quem sabe dele mora dentro d’água,
Aonde o pingo pingou…”

A pouca quantidade de água disponível para o consumo humano, cerca de 0,008% do total da água do nosso planeta, está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, no dia 22 de março de 1992, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

A Declaração Universal dos Direitos da Água, traz em seu artigo segundo, a importância desse elemento para natural em nossa vida:

“Art. 2º – A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.”

A água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração. Ela é excelente captadora de energias, possuindo vibração ora positiva, ora negativa, dependendo do emprego que se faça dela. Sendo a água um fator preponderante na Umbanda, podemos afirmar que sem água não haveria Umbanda. Não é atoa que os pretos-velho costumam dizer: “Com um toco de vela e um copo d’água se resolvem muitas coisas.”

Segundo o Caboclo das 7 Encruzilhadas, a Umbanda é uma religião ­brasileira em que ocorre a manifestação do espirito para a prática da caridade, e muitos desses espíritos, senão todos, estão ligados diretamente à natureza. Entre estes, existe o chamado “povo das águas”, em que se incluem espíritos de marinheiros, caboclas e outros. Na Umbanda, a água é um dos elementos naturais mais receptivos com uma energia altamente condutora, ela é utilizada nas quartinhas, nos copos de firmeza dos Anjos de Guarda, no batismo, no preparo dos amacis e em muitos outros rituais da Umbanda, principalmente pelos Guias Espirituais nos momentos onde há necessidade de realizar grande limpeza, purificação e energização de nosso corpo astral e de nossa casa, afinal existem cargas e energias maléficas que somente esse elemento natural é capaz de desfazer, limpar e equilibrar.

A água aparece também nos pontos cantados que evocam diversos modos deste elemento surgir na natureza em suas letras, revelando os seus usos e o seu simbolismo no culto.

A Água e os Orixás Femininos

A correlação que se faz é com os Orixás femininos, uma vez que essas energias divinas é que são responsáveis direta pela manipulação do elemento água.

Nanã: está associada à terra, à lama e também às águas. Nanã no antigo Daomé, é considerada como o ancestral feminino dos povos fons*;

Oxum: é dona dos rios e das cachoeiras, tem toda a sua história ligada às águas, pois na Nigéria, Oxum é a divindade do rio que recebe o mesmo nome do orixá;

Iansã ou Oiá: divindade dos ventos e tempestades, também está ligada às águas, pois na Nigéria Oiá é dona do rio Niger, também chamado pelos yorubás de Odò Oyá ou “Rio de Oiá”.

Iemanjá: dona dos mares, da calunga grande, muito ligada às águas salgadas. É o orixá que em terra yorubá é patrona de dois rios: o rio Yemonja e o rio Ogun – não confundir com o orixá Ogum.

Cirlot (1984) fala sobre o simbolismo das águas de uma maneira geral, e o associa à temática da vida e da criação. Cirlot ressalta também a característica feminina das águas nas mais diversas culturas. Afirma: nos Vedas**, as águas recebem o apelido de mârtritamâh (as mais maternas), pois, a princípio, tudo era como um mar sem luz. Em geral, na Índia, considera-se esse elemento como o mantenedor da vida que circula através de toda a natureza, em forma de chuva, seiva, leite, sangue. Ilimitadas e imortais, as águas são o princípio e o fim de todas as coisas da terra.

A Água na Natureza e Suas Propriedades

Conhecemos e fazemos uso em rituais de água de procedência dos seguintes campos sagrados:

Pedra – Imantação de Xangô. Água retida em saliências entre pedras. Utilizada para atração de força física, disposição, boa-vontade e sabedoria;

Mar – Imantação de Iemanjá. Imã de energias negativas, anti-séptico e cicatrizante. Atrai fertilidade, calma e harmonia. A água do mar – aquela batida contra as rochas e as areias da praia – é livre de impurezas, porém nunca se deve apanhar água do mar quando o mesmo está sem ondas, pois é água que não está em movimento;

Mina – Imantação de Oxum e Nanã. Atrai força, vitalidade e boas vibrações, por isso é bastante indicada para firmeza das quartinhas de assentamentos;

Chuva – Imantação de Nanã e Oxalá. Descarrega, limpa e purifica. A água da chuva, quando cai é benéfica, pura, no entanto, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois atrai para si as vibrações negativas do local;

Cachoeira – Imantação de Oxum e Xangô. Trabalha os sentimentos atraindo alegria, jovialidade e saúde. A água que se apanha na cachoeira, é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas;

Rio – Imantação de Oxum. Traz determinação e garra. Atrai bons pensamentos e pureza de sentimentos;

Poço – Imantação de Nanã – Trabalha a resistência e a força mental. Atrai sabedoria e paciência;

Orvalho – Imantação de Oxalá. Deve ser recolhido das folhas, ao amanhecer. Utilizada para atração de calma, paciência e fecundidade.

A Umbanda se sustenta no culto à natura, como reflexo do Criador. Por essa razão, mais do que qualquer outra pessoa, o Umbandista deve ter uma forte consciência ambiental. Devemos estar sempre atentos às questões ambientais, refletindo e promovendo ações para preservar a natureza e os recursos naturais que a cada dia que passa sofrem pelas ações do Homem, muitas vezes sustentados pelo ego, pela ganância e pelo “progresso” a qualquer custo. A partir do momento em que passamos a pensar e agir de forma consciente, passamos a nos integrar ainda mais à natureza, passando a ser parte dela.

*O povo Fon, ou Fon nu, são um dos principais grupos étnicos e linguísticos da África Ocidental no sul do Benin e sul do Togo.

** Escrituras sagradas associadas à religião hindu.

Texto: Thayron Duarte

Fontes de Inspiração

Declaração Universal dos Direitos da Água. Disponível em: http://www.pucsp.br/ecopolitica/documentos/seguranca/docs/declaracao_direitos_agua_onu.pdf

Utilização da Água na Umbanda. Disponível em: http://deyiteular.blogspot.com.br/2011/01/utilizacao-da-agua-na-umbanda.html

As Águas Usadas na Umbanda. Disponível em: https://www.umbanda24horas.com.br/as-aguas-usadas-na-umbanda/

Sociedade Espiritualista Mata Virgem. Curso de Umbanda: Água. Rio de Janeiro, 2011. (Apostila).

CIRLOT, Juan-Eduardo. 1984. “Dicionário de símbolos”. Moraes, São Paulo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s